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24.05
2018
Katherine Langford é entrevistada pela Vogue Espanha do mês de junho

Fonte: Tradução dos Scans

Tomar café da manhã. Ir para a escola. Chegar atrasada na aula de natação. Correr para o terceiro trabalho de meia jornada da semana. Dormir e recomeçar. A rotina de Katherine Langford (Perth, 1996) não era mais alta do que o sonho de uma adolescente australiana há dois anos, mas a empresa Netflix estava a ponto de mudar o anódino de sua normal existência com um cheque-mate. O cheque-mate tem o nome de ’13 Reasons Why’, a série que lançou na Espanha em 31 de março de 2017, abordando de maneira gráfica e direta temas como o bullying na escola, assédios sexuais e o suicídio entre a população jovem. Katherine interpreta Hannah Baker, uma jovem estudante que, diferentemente de seu alter-ego, se suicida e deixa 13 fitas contando seus motivos e apontando diretamente as pessoas que provocaram sua decisão.

“Comecei a gravar com apenas 20 anos.” Com qual experiência? “Nenhuma! Mas este foi o melhor início que posso imaginar para uma jovem atriz como eu pela complexidade da minha personagem, mas também por todo o aprendizado que me deu na forma de tratar problemas que, frequentemente, relevamos e ignoramos completamente.”

Katherine recém chegou em Roma para apresentar a segunda temporada da série, na qual Hannah Baker deixa de ser a narradora para dar a vez aos 13 culpados de seu suicídio, confessa que as expectativas geradas pela renovação da série não superou seus cálculos. Langford fala sobre a mudança drástica que ocorreu devido a uma série tão geradora de debate e críticas a educação parental.

“O início do primeiro episódio não é uma primeira cena fictícia, mas sim uma apresentação real do que vamos abordar nos próximos episódios. ’13 Reasons Why’ é uma série que fala de coisas difíceis e reais, e ao expô-las, esperamos ajudar os espectadores a falar sobre seus problemas e a compartilhar com sua família e amigos. No início, me pareceu uma abordagem desafiadora, mas os criadores levaram o trabalho de investigação tão a sério que sempre estive em boas mãos.”

A série fictícia é inspirada no romance de Jay Asher, localizada em uma periferia dos EUA perfeitamente estereotipada, constantemente trazendo a tona a cruel realidade de como os adolescentes se encontram desarmados perante os desafios juvenis e os pais preferem, por muitas vezes, escondê-los ou ignorá-los.

“Desde que a série estreou na Netflix, comecei a entender o quão necessária era a proposta. Com o tempo, pude conversar com meninos e meninas do mundo todo com problemas parecidos e que, de uma forma ou outra, conseguimos ajudá-los a contar seus problemas em suas comunidades. Não têm sido fácil interpretar Hannah e eu sabia que eu iria receber uma responsabilidade enorme, mas eu digo que ela me ajudou a ser mais consciente das batalhas que as pessoas da minha idade lidam diariamente, e este foi o melhor presente de todos.”

A carreira de Katherine parece, ao menos prometedora, a julgar pela projeção que sua filmografia recente teve. Pouco antes de terminar a primeira temporada de ’13 Reasons Why’, começou a gravar o filme ‘Com Amor, Simon’, de Greg Berlanti. “Surgiu a oportunidade, mas isso significava praticamente o dobro da minha agenda, mas eu achei que seria uma gravação tão incrível que não pude dizer não.”

O filme narra a história de um estudante de 16 anos que, após conhecer outro garoto pela Internet e descobrir que este também esconde sua homossexualidade, ganha coragem para sair do armário para sua família e amigos. Um caminho para a liberdade que já virou um enorme sucesso nos Estados Unidos e que chegará a Espanha no dia 22 de junho. “Suponho que meu começo como atriz se condicionou no que eu quero fazer no futuro: projetos com alma, com uma história que uma pessoa pode se identificar e que fale de personagens reais, não isentos de conflitos internos e externos.”

Uma incrível reflexão para uma intérprete que nem sempre vi o cinema como um objetivo.

“No colégio, meu hobbie era a natação até que descobri a música. Tentei me matricular na Academia de Artes Cênicas de Perth, minha cidade natal, no fim do ensino médio. Mas até os 18 anos não tinha feito nenhum teste para um papel dramático. A conclusão dos diretores de elenco que cruzaram meu caminho foi clara: precisava de mais experiência no que eles chamam de “bagagem da vida”.

Um diploma em teatro musical, três trabalhos de meia jornada e uma incansável quantidade de aulas de teatro, eles diziam ser a resolução do problema da inexperiência. Um ano depois, quando vários agentes visitaram sua escola australiana em busca de talento, Langford ja não era a pequena e inexperiente Katherine. “Pouco depois, soube que me aceitaram na Academia de Artes Cênicas da Austrália (WAAPA), mas alguns dos agentes que haviam me visto já tinham me pedido para continuar com as leituras dramáticas para eu conseguir atuar.” Quando recebeu a primeira luz verde para a ficção que supostamente seria seu pulo para o estrelato, o método acadêmico ficou estacionado por motivos óbvios.

Mas além de ficcção pura, Katherine é apaixonada pela música. (“Comecei a cantar em frente ao computador músicas da Lady Gaga, quem eu amo, e não descarto fazer algo no futuro”), e assume o feminismo como uma causa interiorizada, maravilhada perante o debate que supostamente há na indústria que agora faz parte. “O Globo de Ouro do início do ano foi minha primeira aparição em um tapete vermelho. Não quero parecer orgulhosa, mas foi incrível que coincidiu com uma noite em que muitas mulheres que admiro e respeito se uniram, não apenas na hora de vestir preto, mas também por denunciarem a situação de desigualdade que afeta o cinema praticamente desde o seu início histórico. Isso não é uma moda, isso é uma conversa que não vai acabar no futuro. O caminho é grande, mas o medo já não existe mais.”

E ainda que não tenha se juntado há uma causa concreta, pretende se esforçar fazendo sua parte nas redes sociais. A cantora Selena Gomez, produtora de ’13 Reasons Why’, foi a encarregada de que tornasse seu perfil do Instagram público e, desde então, o lema da #TimesUp não saiu de sua biografia. “Não uso frequentemente as redes sociais, porque sempre fui bastante preocupada com a minha privacidade. Mas sei que foi me dado uma voz e sei muito bem como quero utilizá-la no futuro.”. Isso inclui também o padrão de decisões na hora de aceitar futuros projetos, dentre os quais figura o filme de ficção científica ‘Spontaneous’, de Brian Duffield. “Me sinto um pouco pretensiosa apontando várias pessoas com quem eu gostaria de trabalhar, mas eu sei que eu teria muita sorte se puder trabalhar com Sofia Coppola. Sou apaixonada pela visão dela do universo feminino e com a sua maneira de dirigir, mas, na realidade, sei que minha carreira vai tomar forma em seu devido tempo e não quero que minhas expectativas me decepcionem. Pretendo ler cada um dos roteiros que me entreguem e analisar cada projeto separado, porque meu objetivo principal nesta vida é a qualidade como fruto do meu trabalho. E não quero que nada me distraia disto.”

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