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24.06
2017
Entrevista de Katherine Langford para a Deadline Hollywood

Fonte: Deadline Hollywood

Estrear seu primeiro personagem principal com a série da Netflix ’13 Reasons Why’, Katherine Langford deixou para trás a Austrália, iniciando um curso intensivo em atuação enquanto confrontava um material tremendamente sombrio e desafiador.

Baseado no romance best-seller de Jay Asher, a série é centrada no suicídio de Hannah (Katherine), uma adolescente que se encontra no mundo do ensino médio da Lynchian, onde bullying, assédio sexual e estubro são realidades do dia-a-dia. Durante seu primeiro tempo fora, Katherine teve a oportunidade de aprender do diretor ganhador do Oscar, Tom McCarthy, e uma matriz de impertubáveis indies, bem como Gregg Araki e Kyle Patrick Alvarez.

Ao conversar com a Deadline, a atriz falou sobre a discussão que a série gerou, aclimatando a atuação e a possibilidade de uma série de televisão efetivamente mudar.

Você leu o romance de Jay Asher antes de seu envolvimento com ’13 Reasons Why’?
Foi após eu ser selecionada para o elenco que eu li o livro e comecei a perceber o tipo de história que nós iríamos contar. O romance de Jay Asher, juntamente com o tipo das pessoas envolvidas com o projeto, foi algo que realmente me animou e transformou em uma série tão especial.
Como eu consegui o emprego é uma história entrigante. Eu tinha acabado de começar a fazer aulas de atuação, um ano antes de eu fazer 18 anos, e no fim daquele ano, eu assinei com meus empresários americanos.
Quando a audição surgiu, eu tinha acabado de voltar de audições de dois outros projetos, em que eu não consegui os papéis. Eu tinha desistido da escola de teatro por aquelas duas audições, então eu estava de volta em Perth sem emprego, tentando decidir o que eu ia fazer com o meu ano.
Foi aí que a audição apareceu. Eu gravei um vídeo, uma coisa levou à outra, e eles me selecionaram.

Hannah é um personagem interessante, em que a sua ausência é o coração da série. Quais foram os desafios associados com esta estrutura?
Nós gravamos em blocos. Você não grava necessariamente as cenas cronologicamente, mas nós focávamos em dois episódios de cada vez. Havia também o fato intrigante de ter duas linhas do tempo – a primeira, antes da morte de Hannah, e a outra, depois da morte de Hannah, que, algumas vezes, era desafiador lidar com isso ou manter o controle.
Brian Yorkey e os escritores fizeram um trabalho muito fenomenal de nos manter na linha do tempo certa. Eu queria me certificar de que eu estava fazendo tudo no tempo certo, então eu mantinha um diário com todas as datas – com todas as coisas que estávamos gravando – e as colocava em ordem cronológica, então eu poderia olhar para a cena e saber o que aconteceu antes e o que iria acontecer.

Como você conheceu Dylan Minnette – que interpreta o outro personagem principal da série?
Extra-oficialmente, eu acho Dylan uma das pessoas mais talentosas, generosas e maravilhosas que você poderia trabalhar. Ele é realmente um amigo querido, mas o início da nossa amizade foi um pouco bizarra devido à química da série, porque grande parte da série é baseada na química entre Hannah e Clay.
Dylan e eu não nos conhecíamos até uma semana antes das gravações começarem. Eu não tinha pegado um avião para fazer um teste, e nós nunca fizemos uma leitura sobre a química. A primeira vez que eu conversei com ele foi por Skype quando eu estava em Perth e ele na Carolina do Norte. Nós tivemos uma conversa muito boa e por aquela conversa, eu senti imediatamente que ele era uma pessoa incrível e eu estava muito empolgada pra trabalhar com ele.
Oficialmente, eu sinto como se tivesse sido uma coisa fácil de construir. Nós nos damos bem tão naturalmente e facilmente.

Uma quantidade impressionante de diretores prestigiados participaram da série nesta temporada, inclusive Tom McCarthy. Como foi trabalhar com os diretores da primeira temporada?
Quanto mais eu falo sobre isso, mais eu amo a série e o fato de que eu pude fazer parte disto. ’13 Reasons Why’ foi o primeiro trabalho real que eu tive e eu acho que foi a melhor primeira série que eu poderia fazer, mas também, de várias formas, a mais difícil – puramente devido à jornada que Hannah tem e a magnitude do show em si. Ser a personagem principal pela primeira vez e me mudar para o outro lado do mundo, bem como superar estes obstáculos.
Em termos de atuação, ter a oportunidade de trabalhar com um diretor ganhador do Oscar em seu primeiro projeto me mimou um pouco, sinceramente. Tom McCarthy me ajudou muito – ele é muito inteligente e possui ideias excelentes e uma visão incrível para o trabalho que tivemos.
Muitos dos conselhos que ele me deu após os episódios 1 e 2, eu segui durante toda a temporada. “Mantenha leve, porque temos um longo caminho a percorrer”, foi uma das coisas que ele disse, e isso realmente se manteve comigo durante o curso da temporada, ao contar a história de Hannah.
Ter a oportunidade de trabalhar com alguns diretores fenomenais, que traziam seu toque único para cada episódio foi um privilégio. Além de Tom, nós tivemos Helen Shaver, Kyle Patrick Alvarez, Gregg Araki, Carl Franklin e Jessica Yu, e todos eles foram muito inteligentes e tão prestativos na forma em que eles dirigiam as coisas.
Eu sinto que eu aprendi muito, não só como atriz, mas também de um ponto de vista da direção. Era fascinante assistir.

Como tem sido assistir ’13 Reasons Why’ atingir o zeitgeist e causar tanto alvoroço nas redes sociais?
O especial disto para mim é que como uma pessoa que está na série, mesmo que eu não consiga, necessariamente, entender completamente o escopo ou a magnitude da responsabilidade, eu tenho a oportunidade de ouvir respostas individuais de fãs que se aproximam de mim e conseguem compartilhar as histórias deles. Eu sinto que isso é muito especial e eu me sinto muito privilegiada de estar nesta posição.

Com o prosseguimento substancial da série e a quantidade de problemas do mundo real que a série aborda, você sente que ’13 Reasons Why’ pode causar uma mudança positiva no mundo?
Eu acho que ’13 Reasons Why’ é predominantemente um pouco de entretenimento. Por este motivo, e também porque está na Netflix, eu acho que é aceitável para uma quantidade grande de pessoas. Eu acho que causando tanto efeito assim, sim, é um pouco de entretenimento, então não está sendo apresentada como um tratamento, mas eu acho que a abordagem de contar a história foi para contá-la da forma mais autêntica possível
Eu acho que é por isso que tem tido tanta respostas pessoais e incríveis, é porque isto ressona como algo que é verdade, ou aparenta ser algo que é real e está acontecendo.
Eu acho que uma das melhores coisas que o show tem feito, pelo que eu ouço e vejo, é que começou uma discussão de uma forma muito grande. Eu acho que é esta discussão em que eu sinto que o impacto e a mudança pode ser feita. A série pode não ser necessariamente a mudança, mas se ela for o fator instigador para este tipo de discussão, então é aí que eu acho que é útil.

’13 Reasons Why’ realmente não maqueia nada e, por este motivo, tem causado várias controvérsias e a atenção da mídia. Como você tem se sentido tendo testemunhado isto?
Como uma jovem adulta, interpretando uma jovem adulta e abordando estes assuntos, que são tão relevantes, eu me sinto orgulhosa do trabalho que eu fiz. Eu tenho visto o cuidado e preocupação em fazer a série e eu sinto que nós fizemos o que pretendíamos fazer, que era contar a história da forma mais autêntica possível.
O que também me orgulha é que tem havido medidas no pós-show, que é algo que a Netflix e a série não precisava fazer. É um testamento para a visão que os criadores tiveram para a série, para contar da forma mais autêntica possível, mas eles também reconheceram que poderia causar um impacto significante.
Neste sentido, há várias coisas que compartilhamos. Nós fizemos o ‘Tentando Enteder os Porquês’, de 30 minutos, meio que um interrogatório após o 13º episódio. Há avisos de gatilhos e artigos. Mesmo fazendo o show, nós conversamos com vários profissionais de saúde mental para obter suas opiniões profissionais em, não apenas o que seria útil, mas também o que seria real no roteiro.
Este é o meu ponto de vista. Eu estou muito orgulhosa da série, mas eu também entendo que quando você faz uma série que aborda problemas realmente sérios, pessoais e relevantes, vai haver uma diferença de opinião. Eu acho que essa diferença de opniniões e discussões é a parte importante e é o diferencial da série, poder falar sobre as coisas e compartilhar opiniões e os motivos pelo qual pensamos desta forma.
Eu acho que toda opinião é válida, porque somos todos diferentes e todos nós assistimos a série com nosso diferente contexto pessoal.

Brian Yorkey faz uma escolha interessante no final da temporada da série, mostrando o momento do suicídio de Hannah sem cortar nada. Como você se preparou para esta cena profunda e difícil?
Eu acho que profunda é uma palavra muito boa para descrevê-la e, sinceramente, quando nós estávamos decidindo, parecia ser a escolha certa. Eu acho que não houve um momento em que nós não queríamos mostrar o suicídio de Hannah, porque não seria se manter fiel à série. Eu acho que teria mascarado a seriedade do problema. Não é bonito, não é romantizado, não é uma tragédia bonita – é agonizante e fisicamente doloroso de assistir.
Ao atuar nesta cena, eu obviamente tinha algumas considerações, porque é um momento tão importante. É uma cena que foi transmitida na tela poucas vezes, mas, para mim, muitas vezes soava surreal. Eu conversei com o Brian e com professionais de saúde mental. Eu trabalhei com psiquiatras que são especialistas em doenças mentais de adolescentes para tentar e entender o que alguém estaria sentindo e passando naquele momento.
Quando nós fomos fazer a cena, mesmo eu estando preparada para ela e me sentisse super apoiada, ainda havia uma parte de mim que estava realmente triste por Hannah. É um momento em que você está interpretando uma garota, mas você está falando para ela não fazer isto, o que foi um sentimento esquisito, porque é um personagem.
Mas eu acho que após 6 meses, ela parecia uma pessoal real, portanto havia uma responsabilidade real em fazer isto.

Qual foi os maiores desafios que você enfrentou nesta temporada?
Eu acho que eu cresci como uma atriz, porque eu aprendi tanta coisa e tantas coisas difíceis da vida em interpretar a jornada de Hannah. Um dos desafios que eu encontrei em ’13 Reasons Why’ foi simplesmente saber os tecnicismos de como é ser um ator trabalhando.
É a primeira vez que eu faço isto. Eu me mudei para outro país e estava morando sozinha por seis meses, então eu sinto que cresci muito como pessoa. Meio que me forçou a cuidar de mim mesma.

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